RETOMADA DO POVO TRUKÁ
A recente retomada truká, oficializada ainda no acampamento contra as obras de “transposição” do rio São Francisco, segue hoje na antiga fazenda de Antônio de Lalinha, nas mediações do Km 18, na BR 428, na cidade de Cabrobó.
O acampamento contra o "Projeto de Integração das Bacias do São Francisco", que foi formado por diversos segmentos dos movimentos sociais, especialmente por representações de comunidades ribeirinhas pesqueiras, do MST, do movimento indígena, no fim de junho do corrente ano, recebeu apoio infra-estrutural de diversas agências de assessoria, de ONG´s ambientalistas e de algumas arquidioceses da região. Firmou-se nos limites do km 29, na mesma BR 428.
Depois de imposto o processo de reintegração de posse da antiga Fazenda Mãe Rosa, nas localidades da Serra do Tôco Preto, comumente conhecida pelos Truká, as cerca de 700 pessoas presentes no acampamento foram para o assentamento Juventude, do MST, próximo àquela região e permaneceram ainda uma semana enfatizando o posicionamento discordante da imposição do governo, já que em momento algum do processo de estudo dos impactos ambientais, houve audiências públicas suficientes para o diálogo necessário com todas as famílias, instituições civis e públicas interessadas. É importante lembrar que as reivindicações pelo território tradicional dos Truká, documentadas já há mais de vinte anos, foram abarcadas por todos os segmentos presentes no acampamento.
Hoje várias famílias da Ilha de Assunção ocupam progressivamente a região da antiga fazenda de Seu Antônio de Lalinha, como é conhecido na região e para quem vários indígenas já trabalharam. Mais de mil pessoas já estão se estabelecendo na retomada e aproximadamente mais de quinhentos barracos foram construídos. Entre crianças, jovens, adultos e os mais velhos, se multiplica a vontade e a necessidade de contribuição para a organização do espaço.
As famílias que vêm mantendo o acampamento se revezam nas atividades das duas cozinhas comunitárias, na segurança de todo o espaço, na manutenção da limpeza, na retirada do lixo, etc.
Alguns elementos da infra-estrutura, como as lonas pretas e os alimentos foram no início fornecidos pela APOINME (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), pelo Centro de Cultura Luiz Freire, pelo CIMI, pela prefeitura de Cabrobó e pela FUNAI. Mas os próprios truká têm também ajudado na manutenção, tanto os que já estão estabelecidos no acampamento, quanto as outras famílias moradoras da Ilha de Assunção que vêm fornecendo o alimento a partir do que se tira da criação de animais e da produção das roças locais.
A retomada, basicamente, vem se compondo de famílias que estão necessitando de mais terra. Assim como foi o sentido das outras retomadas, a razão desta está na manutenção do território pelas gerações futuras. O primeiro GT ou estudo de identificação realizado na área pela pesquisadora Mércia Gomes, em 1999, já indicava que seria necessária a identificação de mais terras. Apenas 1.600 hectares são reconhecidos, no entanto, um elemento importante que reafirma a organização deste grupo étnico é que todos os cinco processos de retomada existentes desde o ano de 1981 dentro do território indígena foram decisivos para a desintrusão de todos os posseiros da região. 
Os truká reivindicam a identificação contínua de seu território, que se estende desde Santa Maria da Boa Vista, passando por Orocó, Cabrobó (onde fica a Ilha de Assunção), até a cidade de Belém de São Francisco, onde existem mais de quarenta famílias deste povo. Esta reivindicação coincide também com as ações de retomada dos Tumbalalá, povo aparentado dos Truká que vive no estado da Bahia e que também ainda não possui seu território demarcado.
A retomada dos Truká, além de contar com o apoio das lideranças das vinte e cinco aldeias, conta também com a atuação dos agentes de saúde indígenas que já programaram suas atividades até o fim de agosto, mantém uma sala para atender emergências corriqueiras e ficam responsáveis pelo cuidado e pela observação de quaisquer doenças.
Outro importante aspecto de atuação organizativa é representado pelas atividades da OJIT (Organização dos Jovens Indígenas Truká) que, com uma comissão de oito integrantes, vem organizando gincanas e brincadeiras aos domingos, com temas voltados a identidade e a cultura do povo T
ruká, proporcionando uma melhor ambiência para as crianças e jovens presentes no acampamento.
Os truká reivindicam a identificação contínua de seu território, que se estende desde Santa Maria da Boa Vista, passando por Orocó, Cabrobó (onde fica a Ilha de Assunção), até a cidade de Belém de São Francisco, onde existem mais de quarenta famílias deste povo. Esta reivindicação coincide também com as ações de retomada dos Tumbalalá, povo aparentado dos Truká que vive no estado da Bahia e que também ainda não possui seu território demarcado.
A retomada dos Truká, além de contar com o apoio das lideranças das vinte e cinco aldeias, conta também com a atuação dos agentes de saúde indígenas que já programaram suas atividades até o fim de agosto, mantém uma sala para atender emergências corriqueiras e ficam responsáveis pelo cuidado e pela observação de quaisquer doenças.
Outro importante aspecto de atuação organizativa é representado pelas atividades da OJIT (Organização dos Jovens Indígenas Truká) que, com uma comissão de oito integrantes, vem organizando gincanas e brincadeiras aos domingos, com temas voltados a identidade e a cultura do povo T
Às quartas-feiras e os sábados, como já é comum no povo Truká, acontece o ritual do toré, forte expressão da identidade étnica indígena e momento de reunião de muitas pessoas. Como acontece um evento tão importante atualmente, como é o caso da retomada, os rituais têm acontecido no terreiro da área de retomada. É quando há um fluxo ainda maior de pessoas. Este é um indicativo do quanto a religiosidade é importante para a coesão do grupo e é elemento que traz forças para cada missão vinda no dia-a-dia.

No momento, foi iniciado o GT (estudo de identificação) do território dos Tumbalalá pela pesquisadora Mercia Gomes que também ficou responsável pela realização de um relatório a ser entregue a FUNAI, sobre a situação atual e sobre as demandas territoriais do povo Truká.
Segundo os próprios indígenas, são mais de seis léguas de vivência tradicional naquela região que ainda faltam ser identificadas. E a Ilha de Assunção, embora seja reconhecida como do povo Truká ainda não foi homologada.
É indispensável ressaltar que o projeto de “Integração das Bacias do Rio São Francisco”, no eixo norte de construção dos canais também faz parte do território indígena Truká. Por entre o eixo leste de construção do projeto, estão os territórios dos povos Kambiwá, Pipipã e Pankararu.
É indispensável ressaltar que o projeto de “Integração das Bacias do Rio São Francisco”, no eixo norte de construção dos canais também faz parte do território indígena Truká. Por entre o eixo leste de construção do projeto, estão os territórios dos povos Kambiwá, Pipipã e Pankararu.
A JUSTIÇA FEDERAL decretou a paralisação das obras pelo Exército de Engenharia, que permanece há meses naquela região, informando que só depois de ouvidas as populações indígenas, as obras poderão ser (ou não) reiniciadas. Agora a questão vai para o Congresso Federal.
Outro importante fato a ser destacado é que se finalmente reconhecido o restante de suas terras, os Truká têm pleno direito, de acordo com a Constituição Federal, de receber indenização do Estado por conta de suas recentes intervenções com os planos de concretização dos chamados “projetos de desenvolvimento”. É válido lembrar que além do projeto de Transposição, a CHESF vem procurando instalar a contrução de duas usinas hidrelétricas na região dos territórios indígenas Truká e Tumbalalá.
Fica agora a expectativa de que o Estado Democrático de Direito cumpra com o princípio ético necessário a manutenção de diálogo com os movimentos sociais, com o grupo étnico Tumbalalá, assim como com o povo Truká, que tem em sua forma de vida, a utilização particular do meio-ambiente vivente. É importante destacar também que este último povo é responsável por uma das maiores produções de arroz do estado de Pernambuco.
Fica agora a expectativa de que o Estado Democrático de Direito cumpra com o princípio ético necessário a manutenção de diálogo com os movimentos sociais, com o grupo étnico Tumbalalá, assim como com o povo Truká, que tem em sua forma de vida, a utilização particular do meio-ambiente vivente. É importante destacar também que este último povo é responsável por uma das maiores produções de arroz do estado de Pernambuco.
ruínas de construção de mais de cem anos de família truká moradora da região
casa de família truká,
moradora da região da antiga fazenda de Antônio de Lalinha
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